Autor: Equipe JusCash

  • Advogado pode ser MEI? Confira as regras

    Advogado pode ser MEI? Confira as regras

    O Microempreendedor Individual (MEI) é um tipo de empresa que oferece diversas vantagens aos empreendedores. Isso porque reduz a burocracia e centraliza o pagamento de impostos em uma única guia com valor fixo mensal.

    Devido a essas facilidades, é muito comum que empreendedores ou estudantes de diversas áreas queiram optar por esse modelo de negócios. Na área do Direito, é comum que para quem está começando na área e quer abrir seu primeiro escritório surja a dúvida: advogado pode ser MEI:

    No texto de hoje, vamos responder a essa pergunta, explicando os motivos e alternativas que os advogados possuem. Confira!

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    Crédito: Unsplash

    O que é MEI?

    O governo federal criou o modelo de negócio do MEI, em 2008, por meio da Lei Complementar nº128. Seu objetivo é possibilitar a formalização de trabalhadores autônomos e outros empreendedores.

    Quem é MEI conta com os benefícios da Previdência Social, que incluem aposentadoria e auxílio-maternidade. Além disso, o MEI faz parte automaticamente do Simples Nacional, ficando isento de tributos federais.

    Porém, não são todos os empresários que podem abrir uma empresa como MEI. Isso porque o modelo tem alguns critérios específicos:

    • Limite de faturamento de até R$ 81 mil por ano;
    • Não participar de outra empresa como sócio ou titular;
    • Ter até um empregado contratado que receba até um salário mínimo ou piso da categoria;
    • Exercer atividade que se encaixe nas ocupações permitidas.

    Advogado pode ser MEI?

    A resposta a essa pergunta é: não, advogados não podem ser MEI. Isso porque um dos critérios para aderir a esse modelo de negócios é prestar serviços de natureza comum, ou seja, que não precisam de formação superior específica.

    Dessa forma, serviços que possuem órgão regulamentador, como é o caso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não podem ser MEI. Essa regra também restringe o enquadramento de médicos, engenheiros, arquitetos, jornalistas e outros.

    Advogado pode ser empresário?

    O Artigo 966 do Código Civil diz o seguinte: 

    “Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.

    Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.”

    Por essa razão, a abertura de empresas para advogados por anos foi restrita à Sociedade Simples. Isso porque esse tipo de empresa presta serviços intelectuais, literários, científicos ou artísticos.

    Dessa forma, as Sociedades Simples de advocacia são registradas na seccional da OAB em que os envolvidos estão registrados. Ou seja, o processo é diferente do das Sociedades Empresárias, destinadas à produção e circulação de mercadorias, que se registram na Junta Comercial.

    Advogado autônomo

    O advogado também pode atuar como autônomo, ou seja, prestar seus serviços como Pessoa Física. Porém, é preciso tomar muito cuidado, já que essa opção costuma não ser muito vantajosa.

    Isso porque os prestadores de serviço que atuam como pessoa física são tributados pelo Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Nesse caso, a alíquota de contribuição pode chegar a 27,5% de todos os seus ganhos mensais. 

    Ao abrir um CNPJ e optar pelo Simples Nacional, o advogado pode ter uma economia significativa no pagamento de impostos.

    Advogado pode ser MEI em outra atividade?

    O advogado pode ser MEI em outra atividade, mas somente se ela for exercida paralelamente à advocacia. Também é preciso que ela se encaixe em todos os critérios do MEI.

    Isso não traz um conflito ético nem consequências disciplinares junto à OAB. Isso porque o Código de Ética e Disciplina não proíbe que os advogados atuem em outras áreas, desde que respeitem as qualificações profissionais estabelecidas em lei.

    Porém, para exercer outra profissão de forma paralela à advocacia, é necessário seguir algumas regras:

    • Não ocupar o mesmo espaço físico do escritório. Ou seja, ter separação entre as atividades;
    • Não advogar para clientes da outra atividade;
    • Não divulgar as duas atividades em conjunto, e outras.

    Advogado pode ser EIRELI?

    A Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) costuma ser uma ótima opção para quem precisa abrir um negócio, mas não pode se enquadrar no MEI. Isso porque não há restrições de atividades para abrir uma EIRELI. 

    Porém, esta também não é uma opção para os advogados, já que nesse caso também se aplica a regra das Sociedades Empresárias. Mas, fique tranquilo porque o advogado tem outras opções.

    Como o advogado pode ter CNPJ?

    Se o advogado não pode ser MEI, EIRELI ou abrir uma Sociedade Empresária, quais são as opções que lhe restam? O advogado tem duas opções no momento de abrir uma empresa para executar suas atividades.

    Qual tipo de empresa o advogado pode abrir?

    A primeira é a Sociedade Simples, destinada aos advogados que querem trabalhar com sócios. Esse modelo de empresa não pode ter Nome Fantasia, ou seja, deve ser registrada com o nome de todos os sócios ou de um sócio representante.

    Para abrir esse tipo de empresa, todos os participantes da sociedade devem ser advogados. Além disso, os chamamentos da Justiça são feitos ao profissional, de forma que não é possível que apenas a empresa seja indicada como responsável por atos jurídicos.

    A segunda é a Sociedade Unipessoal de Advocacia, uma opção exclusiva para advogados que querem abrir uma empresa individual. As regras para a abertura desse tipo de empresa são semelhantes às da abertura de uma Sociedade Simples de Advocacia.

    Dessa forma, a empresa aberta também levará o nome do advogado. Além disso, com esse tipo de empresa é possível aderir ao Simples Nacional para diminuir e unificar os gastos com impostos.

    CNPJ para escritório de advocacia

    Portanto, como já relatamos acima, normalmente outras Pessoas Jurídicas registram sua empresa na Junta Comercial. Os advogados, por sua vez, devem registrar suas empresas diretamente na OAB em que estão registrados.

    Não se esqueça que também é necessário conseguir o alvará de funcionamento junto à Prefeitura Municipal. Além disso, sua empresa deve ser registrada junto à Receita Federal. Conte com a ajuda de um contador para essas etapas.

    Como o advogado pode aderir ao Simples Nacional?

    Ambos os modelos de empresa disponíveis para os advogados permitem o enquadramento no regime tributário do Simples Nacional. Portanto, confira as principais características desse regime e por que ele é o mais indicado.

    O Simples Nacional é válido em todo o território brasileiro. Esse regime, criado pela Lei Complementar nº 123, unifica a arrecadação, cobrança e fiscalização dos tributos das Micro e Pequenas Empresas. Confira as regras de enquadramento:

    • Ser microempresa ou empresa de pequeno porte;
    • Cumprir os requisitos previstos na legislação;
    • Formalizar a opção pelo Simples Nacional.

    A principal vantagem de optar pelo Simples Nacional é ter diversos tributos reunidos em uma única guia de pagamentos mensal. Dessa forma, a burocracia é menor e é mais fácil que o empreendedor mantenha sua contribuição em dia.

    Os tributos unificados são:

    • IRPJ: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica;
    • IPI: Imposto sobre Produtos Industrializados;
    • CSLL: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido;
    • Cofins: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social;
    • Contribuição para o PIS/Pasep;
    • CPP: Contribuição Patronal Previdenciária;
    • Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS);
    • Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS).

    Para aderir ao Simples, também é necessário respeitar o limite de faturamento da Microempresa (R$ 360 mil por ano) ou da Empresa de Pequeno Porte (R$ 4,8 milhões por ano). O Simples também possui tabelas de alíquotas reduzidas, calculadas conforme seu faturamento.

    Conclusão 

    Apesar de advogados não poderem ser MEI, esses profissionais possuem outras opções vantajosas para formalizar seu negócio. Seja por meio da Sociedade Simples ou da Sociedade Unipessoal de Advocacia, ele pode aderir ao Simples Nacional e simplificar a tributação de sua empresa.

    Compartilhe esse conteúdo com seus colegas que estão no processo de abertura de empresa!

  • Precificação na advocacia: o valor do serviço fora da tabela

    Precificação na advocacia: o valor do serviço fora da tabela

    A precificação de serviços é, sem dúvida, um dos maiores desafios que um advogado enfrenta quando começa a prestar seus serviços.

    A precificação advocacia é uma tarefa bastante complexa, já que precisa levar diversos fatores em consideração. Para que possa chegar em um preço ideal, é necessário avaliar os custos do negócio, a margem de lucro, a percepção de valor dos clientes e outros.

    Uma vez que todos esses fatores forem considerados, o advogado conseguirá praticar preços coerentes com o mercado. Ou seja, que agradam os clientes e gerem um bom faturamento. Dessa maneira, é possível cobrir os gastos da empresa e ter lucro.

    Neste texto, você encontra um guia sobre precificação: significado, principais objetivos, diferenças entre preço e valor. Além disso, verá também dicas para fazer a precificação da forma certa. Então, confira tudo a seguir!

    Precificação: significado

    O significado de precificação é, em resumo: “o ato de determinar um preço”. Entretanto, na prática, essa tarefa é muito mais complexa. Essa é uma das principais atividades estratégicas dos negócios que querem se destacar no mercado.

    Afinal, é dos recursos obtidos com a prestação dos seus serviços que você terá a renda para cobrir gastos, manter seu negócio em funcionamento e retirar o lucro para continuar o serviço.

    Para que isso tudo aconteça, o preço do serviço deve cobrir os custos do negócio e ainda gerar valor para você e outros sócios, caso tenha. No entanto, também é necessário observar os padrões da concorrência e a percepção dos consumidores.

    Certamente, alcançar esse equilíbrio é um grande desafio. Assim, é essencial conhecer métodos, cálculos e estratégias envolvidos no processo de formação dos preços.

    Quais os principais objetivos da precificação?

    • Satisfazer o consumidor: oferecer um preço justo, que se adapte à realidade do cliente;
    • Atingir o público-alvo: o preço também é uma forma de filtrar o tipo de consumidor ao qual seus serviços são direcionados;
    • Enfrentar a concorrência: ter uma política de preços te dá um direcionamento para se manter competitivo diante da concorrência;
    • Conceder descontos: é essencial definir uma margem segura e aceitável para que sua empresa não tenha prejuízos;
    • Melhorar resultados: definir o preço correto ajuda no desenvolvimento de seu negócio e traz lucros;
    • Cobrir custos: com um preço correto, você sempre terá recursos para custear sua operação e pagar os salários e impostos, por exemplo.

    Qual é a diferença entre preço e valor?

    O preço final de um serviço advocatício deve ser formulado com base nos desejos e necessidades de seus clientes. Desse modo, a precificação na advocacia não deve ser feita apenas com base em cálculos. Por isso, é essencial compreender a diferença entre valor e preço.

    Preço

    O preço de um serviço se resume à questão monetária. Ou seja, é a quantia em dinheiro que é necessário pagar para a contratação desse serviço.

    Valor

    Por outro lado, o valor é intangível. Ele representa os diferenciais e benefícios que seu serviço traz aos seus clientes. Esse valor deve ser agregado no momento de definir sua precificação de serviços.

    Agregar valor significa enriquecer seu serviço com benefícios e diferenciais que importam para o consumidor. Dessa forma, ele terá uma experiência única com seu escritório, e não apenas terá contratado um serviço.

    Quais são os tipos de precificação?

    Existem diversos modelos de precificação que podem ser aplicados aos serviços oferecidos, de acordo com a natureza da atividade. Os mais comuns são os seguintes:

    • Precificação por hora. Quando o empreendedor conhece bem o tempo necessário para a realização do seu serviço e tem resultados mais previsíveis;
    • Precificação fixa. Quando os custos são muito claros e o serviço não sofre grandes variações. Nesse caso, também pode-se incluir taxas adicionais para certas situações;
    • Precificação variável. É definida de acordo com cliente, projeto e negociação;
    • Precificação com base no êxito. Quando a cobrança é feita em porcentagens dos lucros obtidos com o serviço. A saber, esse é o tipo mais comum de precificação na advocacia.

    Dicas para fazer a precificação correta

    Definir a precificação da prestação de serviços é um desafio para muitos empreendedores. Algumas etapas são semelhantes às da formação de preços de produtos. Mas, é preciso prestar atenção às particularidades dos serviços. Confira algumas dicas:

    1. Defina o custo da hora da mão de obra

    Em primeiro lugar, conheça os custos que você tem e analise o valor da hora da mão de obra. É possível chegar a esse valor dividindo o custo com funcionários pelo número de horas de trabalho no período. Por exemplo:

    Folha de pagamentos mensalHoras de trabalho no mêsCálculoCusto da mão de obra
    R$ 11 mil198 horas11 mil / 198R$ 55,55

    Utilize esse valor por hora como base para o preço dos seus serviços.

    2. Liste os custos fixos e variáveis

    Considere os custos fixos e variáveis de sua empresa, além do custo da hora de trabalho. Inclua aluguel, internet, contas de consumo, impostos e todos os outros valores que precisam ser pagos mensalmente.

    3. Defina sua margem de lucro

    Para que possa definir a porcentagem que você irá ganhar sobre cada serviço contratado, considere a margem de lucro que é praticada em seu segmento e suas expectativas de retorno sobre o investimento realizado.

    4. Faça sua precificação baseada na concorrência

    Logo após contabilizar seus custos, é hora de analisar sua concorrência para definir o preço dos seus serviços. Fazer essa avaliação vai te ajudar a não destoar muito dos valores praticados pelos concorrentes.

    Fazer uma precificação baseada na concorrência é essencial, pois quem olha apenas para seus próprios custos e ignora os valores da concorrência pode acabar praticando valores muito acima ou muito abaixo e atrapalha seu  planejamento para aumentar o faturamento.

    5. Leve o cliente em consideração

    O preço dos serviços está relacionado à percepção de valor do consumidor, especialmente no caso de serviços. Por isso, estude seu cliente e considere suas expectativas no momento de formar seus preços. Mas, cuidado para não tentar conquistá-lo pelos baixos preços e trazer prejuízos ao seu caixa.

    6. Markup e a margem de contribuição

    Após considerar as especificidades dos serviços, use as fórmulas do markup e da margem de contribuição para chegar aos preços de vendas:

    Markup = 100/100 – (Despesas fixas+Despesas variáveis +Margem de lucro) 

    Margem de contribuição = Valor das vendas – (Custos variáveis + Despesas variáveis)

    Como fazer precificação no Excel?

    Você pode usar uma planilha de precificação no Excel para ajudar com esse cálculo. Para isso, você pode utilizar alguma disponível online ou criar a sua própria, registrando todas as informações que listamos acima e aplicando as fórmulas de cálculo. Além disso, existem diversas planilhas de precificação online.

    Precificação na advocacia

    Para que consiga calcular o preço dos seus serviços advocatícios, é necessário levar em consideração alguns fatores:

    Analise caso a caso

    É essencial conversar com seus clientes para ouvir suas necessidades. Dessa forma, você poderá mensurar os esforços necessários para sua atuação. Também é possível ter uma base de qual será seu trabalho para a correta precificação.

    Não se esqueça de que, quando há o fator humano, como em toda a prática do Direito, não existem padrões inalteráveis.

    Compare preços

    Não se trata apenas da precificação baseada na concorrência. Também é necessário analisar o valor praticado em casos semelhantes. Assim, considere também o histórico de trabalho e casos já atendidos pelos profissionais de sua região.

    Considere todos os custos

    Os custos do seu trabalho devem ser incluídos nos honorários advocatícios. Por isso, utilize uma planilha de precificação para calcular suas despesas com transporte, alimentação e outros itens necessários ao longo do processo.

    Valorize seu trabalho

    Não tenha medo de fazer a cobrança dos serviços que você presta. Tome cuidado para não praticar preços abusivos nem deixar de estabelecer o valor que você julgar necessário para desenvolver seu trabalho.

    Tabela de preços da OAB

    Além disso, é essencial consultar a tabela de honorários advocatícios da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de seu estado. Ela pode ajudar advogados iniciantes e mais experientes no momento de calcular o preço de seu serviço.

    Utilizar a tabela de preços da OAB como base para sua precificação é uma forma de estabelecer um preço justo, com base legal. Além disso, também é uma garantia de que os preços praticados em diversos lugares são semelhantes.

    Confira a tabela de honorários advocatícios 2021 da OAB-SP e da OAB-MG.

    Conclusão

    Fazer a precificação de serviços advocatícios é essencial para que os advogados tenham a justa remuneração por seus serviços. Seguindo as dicas que apontamos nesse texto, utilizando planilha de precificação, calculadora de precificação e até mesmo a tabela de preços da OAB, você poderá chegar a um preço justo por seus serviços.

    Continue acompanhando o blog da JusCash para saber mais sobre a importância da organização financeira para advogados!

  • Advocacia Pro-bono: significado, vantagens e limites

    A advocacia pro-bono é, em resumo, um serviço voluntário exercido por advogados para oferecer assistência a quem não consegue arcar com os custos de uma demanda judicial.

    A expressão vem do latim, significa “para o bem” e representa uma atividade voluntária do advogado de qualquer área do Direito. No entanto, não se deve confundir com a assistência jurídica gratuita e pública.

    A segunda é uma obrigação do governo, prevista na Constituição Federal. A Lei determina certos critérios para que o cidadão tenha direito à defesa paga pelo Estado por meio de advogado ou defensor público.

    Por outro lado, a advocacia pro-bono é uma ferramenta que ajuda a garantir que todos tenham o devido acesso à Justiça. Além disso, fortalece a responsabilidade social da profissão.

    Neste texto, você confere um pouco mais sobre o ato de advogar pro-bono, as regras, vantagens e limitações. Boa leitura!

    O que é advocacia pro-bono?

    Em outras palavras, a advocacia pro-bono é o serviço voluntário que o profissional presta a pessoas e instituições de baixa renda. Nesse sentido, o atendimento advocatício é feito gratuitamente, sem cobrança de honorários para a defesa do cliente em juízo.

    Esta é a primeira etapa para que o cliente tenha acesso à Justiça. Quando deixa de ter o compromisso de pagar honorários para sua defesa, o cidadão passa a ter que arcar apenas com as custas judiciais, que iniciam junto com o ajuizamento de sua demanda.

    Então, a justiça gratuita entra em cena para evitar que o cidadão tenha altos custos. Juntamente com a  advocacia pro-bono, a justiça gratuita busca democratizar o acesso ao Judiciário. 

    Mas, é fundamental não confundir as duas modalidades. A justiça gratuita é uma obrigação do Estado. Que, desse modo, arca com os custos da defesa do cidadão, quer seja por meio de advogado, defensor público, quer seja pela gratuidade dos custos do processo.

    Para que o cidadão tenha direito a esse benefício, deve se enquadrar em requisitos salariais e outros. Quando o juiz defere o pedido de acesso à justiça gratuita, o cidadão não precisa pagar as custas judiciais e a publicação na imprensa oficial, por exemplo.

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    Pro-bono no Brasil: Código de Ética da OAB

    O Provimento nº 166/2015 da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é o responsável por regulamentar o trabalho pro-bono do advogado no Brasil. De acordo com a determinação, a definição de pro-bono é:

    Art. 1º Considera-se advocacia pro bono a prestação gratuita, eventual e voluntária de serviços jurídicos em favor de instituições sociais sem fins econômicos e aos seus assistidos, sempre que os beneficiários não dispuserem de recursos para a contratação de profissional.

    Parágrafo único. A advocacia pro bono pode ser exercida em favor de pessoas naturais que, igualmente, não dispuserem de recursos para, sem prejuízo do próprio sustento, contratar advogado.

    Art. 2º Aplicam-se à advocacia pro bono os dispositivos do Estatuto da Advocacia e da OAB, do Regulamento Geral, do Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil e dos Provimentos do Conselho Federal da OAB.

    Portanto, para a OAB, o profissional que se dispõe a advogar pro-bono deve se dedicar àquela causa da mesma maneira que se dedica às causas com remuneração. Não há diferença entre os dois tipos de causa, exceto a questão do pagamento de honorários.

    Quem paga o advogado pro-bono?

    O trabalho pro-bono é oferecido gratuitamente pelos advogados. Isso significa que não existe acordo para que honorários contratuais sejam pagos. No entanto, ainda podem ocorrer os honorários sucumbenciais.

    Ou seja, os honorários devidos pela parte vencida ao advogado da parte vencedora podem ser pagos normalmente. Isso porque não são pagos pela parte que não tem condições de arcar com os custos e é direito do profissional recebê-los.

    Quem pode exercer um trabalho pro-bono?

    Todos os profissionais devidamente inscritos na OAB podem atuar como advogado pro-bono. Mas, há alguns detalhes que envolvem a regulamentação do exercício desse serviço.

    Estagiários devidamente inscritos na OAB também podem ter o direito de atuar como advogado pro-bono. Entretanto, a atuação pro-bono não pode ocorrer de forma autônoma.

    Isso porque os eles devem seguir as demais regras referentes ao exercício da profissão na condição de estagiário. Os estagiários devem praticar os atos da advocacia sempre em conjunto com um advogado e sob sua responsabilidade.

    O 5º artigo do provimento ainda veda a utilização da advocacia pro-bono para fins eleitorais ou político-partidários e para instituições que tenham esses objetivos. Além disso, ela não pode servir como forma de publicidade para o advogado captar clientes. Por último, a atuação do advogado pro-bono deve ser eventual.

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    Como fazer pro-bono?

    Conforme já vimos, todos os advogados regularmente inscritos na OAB podem exercer a advocacia pro-bono. Isso inclui os estagiários inscritos na OAB que respeitem as devidas regras. Confira as principais vantagens e limites dessa forma de atuação:

    Vantagens

    Crescimento profissional

    Disponibilizar e partilhar o conhecimento que você possui na área jurídica com clientes que realmente precisam é uma experiência que proporciona uma troca rica e saudável. Isso permite a ampliação dos horizontes e do seu próprio conhecimento prático.

    Além disso, prestar assistência jurídica a uma causa nobre e saber que está contribuindo para a justiça social produz satisfação profissional. Essa também é uma atitude bem vista pelo mercado e pode se tornar um diferencial competitivo.

    Novos desafios

    Quando o advogado usa seu tempo livre para um trabalho pro-bono, se depara com pessoas que vivem em realidades muito diferentes das que está acostumado. Isso também contribui para o amadurecimento profissional. 

    Esse tipo de serviço deve fazer parte do perfil do advogado. Isso porque ele cria uma nova perspectiva profissional, já que a vontade de vencer a causa é tão grande quanto a dedicação ao cliente, ao exercício da profissão e às causas.

    Ampliação de rede de contatos

    Ter contatos é essencial para que o advogado possa conseguir novos clientes e casos. Assim, advogar pro-bono é uma ótima forma para criar novas conexões e aumentar sua rede, indo além da mera troca de cartões.

    Quando você se dispõe a ajudar quem precisa, pode acabar ganhando uma ótima recomendação dos seus serviços no futuro. Isso gera um marketing gratuito e muito positivo a respeito do seu trabalho.

    Limitações ao advogar pro-bono

    Não é permitido estabelecer um contrato pro-bono com uma pessoa ou instituição que tenha objetivos eleitorais ou político-partidários. Também é proibido utilizar esse ofício como forma de publicidade para alcançar mais clientes.

    Além disso, o advogado que estabelece um contrato pro-bono com uma pessoa física ou jurídica fica impedido de exercer advocacia remunerada para a mesma pessoa. A Lei determina que o impedimento cessa quando se passarem três anos do fim do contrato pro-bono.

    A Lei também proíbe que a prestação de serviços pro-bono seja vinculada ou condicionada à contratação de quaisquer serviços remunerados.

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    É possível advogar de graça?

    A advocacia gratuita é uma das grandes discussões do Direito brasileiro. Porém, hoje, o que vigora é o provimento nº 166/2015 da OAB de São Paulo, que permite a advocacia pro-bono apenas para:

    • Instituições sociais sem fins econômicos;
    • Seus assistidos;
    • Pessoas naturais.

    A regra para o trabalho pro-bono para esses três grupos é que os beneficiários não disponham de recursos para a contratação de profissional. Levando em consideração que os recursos para a contratação de advogado não podem trazer prejuízo para seu próprio sustento.

    Conclusão

    A advocacia pro-bono é uma ótima oportunidade de prestar assistência jurídica a pessoas e instituições necessitadas. Além de uma forma de fazer o bem e praticar o papel social da profissão, a prática traz crescimento profissional e pode ampliar sua rede de contatos.

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