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  • Advogado, saiba o qual custo de um funcionário para o seu escritório

    Advogado, saiba o qual custo de um funcionário para o seu escritório

    A contratação de colaboradores pode aumentar, e muito, a produtividade do seu escritório. Mas, antes de fazer isso, é preciso entender bem todos os direitos e custos envolvidos.

    Para fazer a gestão de um escritório de advocacia da forma correta, é preciso considerar diversas questões, como por exemplo, o custo de um funcionário. Porém, esse tipo de assunto não é ensinado nos cursos de Direito.

    Assim, muitos profissionais acabam tendo dificuldades para fazer os cálculos que determinam o custo de um funcionário. Isso porque além do salário, é preciso considerar todos os direitos e encargos que devem ser pagos.

    A gestão desse processo financeiro é fundamental para quem quer fazer as contratações de acordo com o que está determinado na legislação. Por esse motivo, neste artigo te ajudamos a entender mais sobre o custo de um funcionário para o seu escritório. Boa leitura!

    Tipos de contratação possíveis para um escritório de advocacia

    Antes de falar sobre o custo de um funcionário para o seu escritório, precisamos entender de que maneira esse trabalhador pode ser contratado. Existem duas modalidades de contratação, que possuem vantagens e desvantagens. Saiba mais sobre elas:

    Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)

    Para contratações feitas sob o regime da CLT, o empregador é obrigado a oferecer os direitos trabalhistas definidos na lei. Isso inclui férias, décimo terceiro salário e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

    Os custos envolvidos neste tipo de contratação costumam ser mais elevados. Porém, este formato traz mais segurança à empresa no sentido da retenção do colaborador, já que permite um laço estável entre empregador e trabalhador.

    Prestação de serviços

    A contratação por meio de uma prestação de serviços entre Pessoas Jurídicas evolve menos gastos, já que não há a obrigatoriedade do pagamento de direitos trabalhistas e encargos. O processo de contratação também é menos burocrático.

    Porém, nesse tipo de contrato, há a desvantagem da não exclusividade no trabalho realizado. Além disso, o prestador de serviços é quem estabelece formas, horários e meios para realizar seu trabalho, isso porque nesse tipo de contratação não pode haver subordinação, pessoalidade e habitualidade:

    • A pessoalidade ocorre quando a pessoa não pode se fazer substituir por outras pessoas para a realização do trabalho;
    • A subordinação ocorre quando o trabalhador precisa se submeter às ordens de outra pessoa, gerando uma relação de dependência laboral. Isso está relacionado ao poder de direção, fiscalização e coordenação do empregador;
    • A habitualidade ocorre quando o empregador define dias e horários para que o trabalhador preste seu serviço.

    Todas essas características são exclusivas de uma contratação por meio da CLT.

    Quais são os custos de um funcionário para o seu escritório de advocacia?

    O custo de um funcionário depende do regime tributário no qual seu escritório está enquadrado. Isso porque cada regime possui suas próprias regras quanto aos encargos que devem ser pagos pela contratação de trabalhadores.

    De qualquer maneira, os principais custos definidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) são os seguintes:

    • Salário mensal;
    • Férias;
    • Décimo terceiro salário;
    • Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

    Além disso, o escritório pode oferecer benefícios aos trabalhadores, que variam conforme o regime tributário. São eles:

    • Vale transporte;
    • Vale refeição;
    • Plano de saúde;
    • Plano odontológico;
    • Auxílio-creche.

    Como calcular o custo de um funcionário para o seu escritório?

    Para calcular o custo de um funcionário para seu escritório, é preciso considerar, em primeiro lugar, os custos diretos com salário e benefícios. Após isso, é preciso analisar os custos indiretos, ou seja, os encargos que devem ser pagos ao Governo. Confira como funciona:

    Qual o custo de um funcionário para escritórios enquadrados no Simples Nacional?

    A legislação determina que as empresas que se enquadram no regime tributário do Simples Nacional são isentas dos seguintes encargos:

    • Contribuição previdenciária (INSS);
    • Salário educação;
    • Seguro acidente do trabalho (SAT);
    • Contribuições ao SENAI, SESI, SEBRAE ou Incra.

    Dessa maneira, no regime do Simples Nacional, a alíquota de encargos é definida da seguinte forma:

    • Férias – 11,11% do salário bruto;
    • Fração de décimo terceiro salário – 8,33% do salário bruto;
    • FGTS – 8% do salário bruto;
    • Provisão de multa para rescisão – 4% do salário bruto;
    • Contribuição previdenciária sobre décimo terceiro e férias – 7,93% do salário bruto.

    Os encargos totalizam 39,37% do valor gasto para custear o colaborador, e devem ser calculados além do valor de salário e outros benefícios.

    Qual o custo de um funcionário para escritórios enquadrados no Lucro Real ou Presumido?

    Já no Lucro Real ou Presumido, além das alíquotas comuns ao Simples Nacional, há o acréscimo da alíquota de terceiros e outros encargos. Dessa maneira, nos regimes do Lucro Real e Presumido, a alíquota de encargos é definida da seguinte forma:

    • Férias – 11,11% do salário bruto;
    • Fração de décimo terceiro salário – 8,33% do salário bruto;
    • Contribuição previdenciária ao INSS – 20% do salário bruto;
    • Seguro acidente de trabalho (SAT) – 3% do salário bruto;
    • Salário educação – 2,5% do salário bruto;
    • Alíquota de terceiros (Incra, SENAI, SESI, SEBRAE) – 3,3% do salário bruto;
    • FGTS – 8% do salário bruto;
    • Provisão de multa para rescisão – 4% do salário bruto;
    • Contribuição previdenciária sobre décimo terceiro e férias – 7,93% do salário bruto.

    Os encargos totalizam 68,18% do valor gasto para custear o colaborador, e devem ser calculados além do valor de salário e outros benefícios.

    Como funciona a concessão dos encargos sociais?

    Os encargos sociais devem ser considerados no cálculo do custo de um funcionário para o seu escritório. Se a contratação for feito por meio do regime da CLT, os encargos sociais devem seguir estas regras:

    • Vale transporte – Se o trabalhador precisar do auxílio para se locomover até a empresa, esta é obrigada a conceder o benefício. O trabalhador arca com 6% de seu salário e o valor restante é complementado pelo contratante;
    • Vale refeição – Não é uma obrigação legal da empresa, e só deve ser concedido caso isso esteja previsto no contrato de trabalho.

    Quando um benefício trabalhista é concedido sem descontos ao funcionário, passa a ser considerado como natureza salarial. Isso significa que ele deve ser somado ao valor do salário e constar nas obrigações tributárias.

    Consequências de não cumprir a legislação

    Muitas empresas buscam economizar nas contratações evitando pagar taxas, encargos e direitos trabalhistas. Para isso, negociam uma forma de não registrar funcionários, mesmo contratando-os por meio do regime CLT.

    Contudo, o registro em carteira é uma obrigação do empregador estabelecida por lei. Seu descumprimento pode gerar multas, sanções e processos trabalhistas que podem comprometer o futuro do negócio.O valor das multas é calculado com base no porte da empresa.

    Outras empresas também optam por fazer a contratação de Pessoas Jurídicas, mas querem impor regras de subordinação, pessoalidade e habitualidade, o que é proibido por lei. 

    Caso isso aconteça, a empresa também pode receber um processo trabalhista e ser obrigada a pagar todos os direitos retroativos do trabalhador de uma única vez no momento da condenação.

    Conclusão

    O custo de um funcionário para o seu escritório deve ser considerado em seu planejamento estratégico e financeiro. O advogado empreendedor deve tomar muito cuidado para fazer as contratações conforme as regras estabelecidas em lei para evitar sanções e processos trabalhistas no futuro.
    Continue acompanhando o blog da JusCash para conferir conteúdos que te ajudarão a otimizar a gestão de seu escritório!

  • Precificação na advocacia: o valor do serviço fora da tabela

    Precificação na advocacia: o valor do serviço fora da tabela

    A precificação de serviços é, sem dúvida, um dos maiores desafios que um advogado enfrenta quando começa a prestar seus serviços.

    A precificação advocacia é uma tarefa bastante complexa, já que precisa levar diversos fatores em consideração. Para que possa chegar em um preço ideal, é necessário avaliar os custos do negócio, a margem de lucro, a percepção de valor dos clientes e outros.

    Uma vez que todos esses fatores forem considerados, o advogado conseguirá praticar preços coerentes com o mercado. Ou seja, que agradam os clientes e gerem um bom faturamento. Dessa maneira, é possível cobrir os gastos da empresa e ter lucro.

    Neste texto, você encontra um guia sobre precificação: significado, principais objetivos, diferenças entre preço e valor. Além disso, verá também dicas para fazer a precificação da forma certa. Então, confira tudo a seguir!

    Precificação: significado

    O significado de precificação é, em resumo: “o ato de determinar um preço”. Entretanto, na prática, essa tarefa é muito mais complexa. Essa é uma das principais atividades estratégicas dos negócios que querem se destacar no mercado.

    Afinal, é dos recursos obtidos com a prestação dos seus serviços que você terá a renda para cobrir gastos, manter seu negócio em funcionamento e retirar o lucro para continuar o serviço.

    Para que isso tudo aconteça, o preço do serviço deve cobrir os custos do negócio e ainda gerar valor para você e outros sócios, caso tenha. No entanto, também é necessário observar os padrões da concorrência e a percepção dos consumidores.

    Certamente, alcançar esse equilíbrio é um grande desafio. Assim, é essencial conhecer métodos, cálculos e estratégias envolvidos no processo de formação dos preços.

    Quais os principais objetivos da precificação?

    • Satisfazer o consumidor: oferecer um preço justo, que se adapte à realidade do cliente;
    • Atingir o público-alvo: o preço também é uma forma de filtrar o tipo de consumidor ao qual seus serviços são direcionados;
    • Enfrentar a concorrência: ter uma política de preços te dá um direcionamento para se manter competitivo diante da concorrência;
    • Conceder descontos: é essencial definir uma margem segura e aceitável para que sua empresa não tenha prejuízos;
    • Melhorar resultados: definir o preço correto ajuda no desenvolvimento de seu negócio e traz lucros;
    • Cobrir custos: com um preço correto, você sempre terá recursos para custear sua operação e pagar os salários e impostos, por exemplo.

    Qual é a diferença entre preço e valor?

    O preço final de um serviço advocatício deve ser formulado com base nos desejos e necessidades de seus clientes. Desse modo, a precificação na advocacia não deve ser feita apenas com base em cálculos. Por isso, é essencial compreender a diferença entre valor e preço.

    Preço

    O preço de um serviço se resume à questão monetária. Ou seja, é a quantia em dinheiro que é necessário pagar para a contratação desse serviço.

    Valor

    Por outro lado, o valor é intangível. Ele representa os diferenciais e benefícios que seu serviço traz aos seus clientes. Esse valor deve ser agregado no momento de definir sua precificação de serviços.

    Agregar valor significa enriquecer seu serviço com benefícios e diferenciais que importam para o consumidor. Dessa forma, ele terá uma experiência única com seu escritório, e não apenas terá contratado um serviço.

    Quais são os tipos de precificação?

    Existem diversos modelos de precificação que podem ser aplicados aos serviços oferecidos, de acordo com a natureza da atividade. Os mais comuns são os seguintes:

    • Precificação por hora. Quando o empreendedor conhece bem o tempo necessário para a realização do seu serviço e tem resultados mais previsíveis;
    • Precificação fixa. Quando os custos são muito claros e o serviço não sofre grandes variações. Nesse caso, também pode-se incluir taxas adicionais para certas situações;
    • Precificação variável. É definida de acordo com cliente, projeto e negociação;
    • Precificação com base no êxito. Quando a cobrança é feita em porcentagens dos lucros obtidos com o serviço. A saber, esse é o tipo mais comum de precificação na advocacia.

    Dicas para fazer a precificação correta

    Definir a precificação da prestação de serviços é um desafio para muitos empreendedores. Algumas etapas são semelhantes às da formação de preços de produtos. Mas, é preciso prestar atenção às particularidades dos serviços. Confira algumas dicas:

    1. Defina o custo da hora da mão de obra

    Em primeiro lugar, conheça os custos que você tem e analise o valor da hora da mão de obra. É possível chegar a esse valor dividindo o custo com funcionários pelo número de horas de trabalho no período. Por exemplo:

    Folha de pagamentos mensalHoras de trabalho no mêsCálculoCusto da mão de obra
    R$ 11 mil198 horas11 mil / 198R$ 55,55

    Utilize esse valor por hora como base para o preço dos seus serviços.

    2. Liste os custos fixos e variáveis

    Considere os custos fixos e variáveis de sua empresa, além do custo da hora de trabalho. Inclua aluguel, internet, contas de consumo, impostos e todos os outros valores que precisam ser pagos mensalmente.

    3. Defina sua margem de lucro

    Para que possa definir a porcentagem que você irá ganhar sobre cada serviço contratado, considere a margem de lucro que é praticada em seu segmento e suas expectativas de retorno sobre o investimento realizado.

    4. Faça sua precificação baseada na concorrência

    Logo após contabilizar seus custos, é hora de analisar sua concorrência para definir o preço dos seus serviços. Fazer essa avaliação vai te ajudar a não destoar muito dos valores praticados pelos concorrentes.

    Fazer uma precificação baseada na concorrência é essencial, pois quem olha apenas para seus próprios custos e ignora os valores da concorrência pode acabar praticando valores muito acima ou muito abaixo e atrapalha seu  planejamento para aumentar o faturamento.

    5. Leve o cliente em consideração

    O preço dos serviços está relacionado à percepção de valor do consumidor, especialmente no caso de serviços. Por isso, estude seu cliente e considere suas expectativas no momento de formar seus preços. Mas, cuidado para não tentar conquistá-lo pelos baixos preços e trazer prejuízos ao seu caixa.

    6. Markup e a margem de contribuição

    Após considerar as especificidades dos serviços, use as fórmulas do markup e da margem de contribuição para chegar aos preços de vendas:

    Markup = 100/100 – (Despesas fixas+Despesas variáveis +Margem de lucro) 

    Margem de contribuição = Valor das vendas – (Custos variáveis + Despesas variáveis)

    Como fazer precificação no Excel?

    Você pode usar uma planilha de precificação no Excel para ajudar com esse cálculo. Para isso, você pode utilizar alguma disponível online ou criar a sua própria, registrando todas as informações que listamos acima e aplicando as fórmulas de cálculo. Além disso, existem diversas planilhas de precificação online.

    Precificação na advocacia

    Para que consiga calcular o preço dos seus serviços advocatícios, é necessário levar em consideração alguns fatores:

    Analise caso a caso

    É essencial conversar com seus clientes para ouvir suas necessidades. Dessa forma, você poderá mensurar os esforços necessários para sua atuação. Também é possível ter uma base de qual será seu trabalho para a correta precificação.

    Não se esqueça de que, quando há o fator humano, como em toda a prática do Direito, não existem padrões inalteráveis.

    Compare preços

    Não se trata apenas da precificação baseada na concorrência. Também é necessário analisar o valor praticado em casos semelhantes. Assim, considere também o histórico de trabalho e casos já atendidos pelos profissionais de sua região.

    Considere todos os custos

    Os custos do seu trabalho devem ser incluídos nos honorários advocatícios. Por isso, utilize uma planilha de precificação para calcular suas despesas com transporte, alimentação e outros itens necessários ao longo do processo.

    Valorize seu trabalho

    Não tenha medo de fazer a cobrança dos serviços que você presta. Tome cuidado para não praticar preços abusivos nem deixar de estabelecer o valor que você julgar necessário para desenvolver seu trabalho.

    Tabela de preços da OAB

    Além disso, é essencial consultar a tabela de honorários advocatícios da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de seu estado. Ela pode ajudar advogados iniciantes e mais experientes no momento de calcular o preço de seu serviço.

    Utilizar a tabela de preços da OAB como base para sua precificação é uma forma de estabelecer um preço justo, com base legal. Além disso, também é uma garantia de que os preços praticados em diversos lugares são semelhantes.

    Confira a tabela de honorários advocatícios 2021 da OAB-SP e da OAB-MG.

    Conclusão

    Fazer a precificação de serviços advocatícios é essencial para que os advogados tenham a justa remuneração por seus serviços. Seguindo as dicas que apontamos nesse texto, utilizando planilha de precificação, calculadora de precificação e até mesmo a tabela de preços da OAB, você poderá chegar a um preço justo por seus serviços.

    Continue acompanhando o blog da JusCash para saber mais sobre a importância da organização financeira para advogados!