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  • Entenda como se dá a Fase Final do Processo contra o INSS

    Entenda como se dá a Fase Final do Processo contra o INSS

    A fase final do processo contra o INSS é o momento mais esperado por quem move uma ação previdenciária. Porém, também o mais cercado de dúvidas, tanto para o segurado quanto para o advogado que acompanha o caso.

    Além disso, é onde o advogado previdenciário mais perde tempo útil e, em escala, margem de honorário. O mérito da ação foi o fácil: houve sentença procedente, o cliente ganhou e os honorários estão contratados. Mesmo assim, passam-se meses (às vezes anos) até o dinheiro efetivamente cair na conta. Em setembro de 2024, o Conselho Nacional de Justiça registrou mais de 5,2 milhões de processos previdenciários em tramitação no país, com tempo médio de 746 dias para os pendentes.

    Neste conteúdo, respondemos primeiro as dúvidas mais frequentes de quem está aguardando uma decisão. Em seguida, apresentamos uma visão prática para advogados previdenciários que precisam operar a fase executiva com eficiência.

    Perguntas frequentes: a fase final explicada para quem aguarda a decisão

    O que é a fase final do processo contra o INSS?

    É o momento em que o juiz decide se o benefício previdenciário será concedido ou negado. Se a sentença for favorável, o INSS fica obrigado a implantar o benefício e pagar os valores atrasados. Se for desfavorável, o pedido é negado, mas cabe recurso.

    Em quanto tempo começo a receber o benefício depois da sentença favorável?

    Pelo art. 174 do Decreto nº 3.048/1999, o primeiro pagamento deve ocorrer em até 45 dias após a apresentação da documentação necessária. Na prática, esse prazo pode variar conforme o trâmite processual e a eventual interposição de recursos pelo INSS.

    O INSS pode recorrer da sentença?

    Sim, e isso é frequente. Se o INSS recorrer, o processo pode se estender por mais alguns meses até a decisão definitiva (trânsito em julgado), que é o ponto em que os atrasados começam a ser efetivamente pagos.

    Como recebo os valores atrasados?

    Por RPV (Requisição de Pequeno Valor), quando o valor devido é de até R$ 97.260 em 2026 (60 salários mínimos) — pago em até 60 dias da expedição; ou por precatório, para valores acima disso, com pagamento vinculado ao calendário orçamentário anual.

    Ou seja, se você é segurado e aguarda sua decisão, mantenha contato próximo com seu advogado, ele acompanha os prazos e toma as providências práticas. O conteúdo a seguir fala diretamente com os profissionais que operam esse tipo de ação.

    Para advogados previdenciários: visão prática da fase executiva

    O restante deste guia aborda os pontos que mais pesam no fluxo de caixa entre a sentença e o recebimento efetivo, com ênfase no que mudou em 2024–2025 e no que você precisa observar em 2026.

    Linha do tempo das seis etapas da fase final do processo contra o INSS em 2026, da sentença favorável ao pagamento do RPV ou precatório

    O que conta como “fase final” na prática

    O uso corrente do termo é impreciso. Tecnicamente, a fase final engloba três momentos distintos que exigem abordagens diferentes: a fase decisória (da sentença até o esgotamento dos recursos), a fase recursal (apelação ou recurso inominado, remessa necessária quando cabível) e a fase executiva (cumprimento de sentença, com expedição de RPV ou precatório).

    Essa distinção importa porque o rito muda significativamente conforme a causa tramite no Juizado Especial Federal (JEF), regido pela Lei nº 10.259/2001, com teto de R$ 97.260 em 2026, ou na Justiça Federal comum, que segue o CPC, admite remessa necessária e tem prazos recursais diversos.

    RPV x Precatório em 2026: o novo teto e seus desdobramentos

    Com o salário mínimo em R$ 1.621, o teto da RPV federal em 2026 passou para R$ 97.260. Na prática, muitas ações que seriam precatório pelos valores de 2025 foram reclassificadas automaticamente como RPV, acelerando o recebimento em meses.

    Tabela comparativa entre RPV federal e precatório federal em 2026, com limite, prazo de pagamento, base legal e medidas em caso de atraso

    Para créditos que ultrapassam o teto, permanece viável a estratégia de renúncia ao excedente, abrindo mão do valor que ultrapassa R$ 97.260 para manter o pagamento via RPV, evitando o deslocamento para a fila de precatórios. A decisão depende do perfil do cliente, da urgência do recurso e do comparativo entre o valor renunciado e o tempo de espera adicional.

    destaque de honorários contratuais é outro ponto crítico na execução, porque deve ser feito antes da expedição do requisitório. Uma vez expedido, não é mais possível fracionar. É um dos pontos em que mais se perde margem no escritório. Vale conectar esse tema com o entendimento do deságio adequado em antecipações quando a opção envolver cessão dos honorários.

    Prazos reais x prazos legais

    No agregado nacional, a diferença entre o prazo legal de 60 dias para pagamento de RPV e o prazo efetivo costuma variar entre 60 e 120 dias, dependendo do TRF. O Relatório Justiça em Números 2025 do CNJ aponta o TRF4 (PR, SC, RS) como benchmark de eficiência, com o menor tempo de giro do acervo entre as seis regiões. Informação útil para calibrar expectativas do cliente e também para planejamento de fluxo quando o escritório atua em múltiplas regiões.

    Descumprido o prazo de 60 dias da RPV, é cabível o pedido de sequestro judicial do valor, com base no art. 17, § 2º da Lei 10.259/2001. É um instrumento legítimo e pouco usado na prática — vale ter no arsenal.

    O que mudou em 2024–2025 e impacta sua prática agora

    Revisão da Vida Toda: cancelada pelo STF em novembro de 2025

    Primeiramente, em novembro de 2025, por oito votos a três, o STF cancelou definitivamente a tese da Revisão da Vida Toda (Tema 1.102 de repercussão geral), reafirmando a obrigatoriedade da regra de transição do fator previdenciário.

    A Corte modulou os efeitos com proteção aos segurados. Os clientes que receberam valores até 5 de abril de 2024 não precisam devolvê-los, e autores de ações pendentes até aquela data não pagam custas, honorários sucumbenciais nem despesas periciais. Para o escritório que tem acervo nesse tema, o efeito prático é duplo: as instâncias inferiores tendem a julgar improcedentes as ações em andamento, mas a modulação protege as sentenças transitadas com pagamento anterior a 05/04/2024.

    Tema 1.124/STJ: o termo inicial dos efeitos financeiros

    O STJ discute, no Tema 1.124, se deve restringir o marco inicial dos efeitos financeiros dos benefícios concedidos judicialmente à data da citação do INSS, e não à DER, quando o autor não apresentou a prova determinante na esfera administrativa. Para blindar o cliente contra a aplicação restritiva da tese, junte toda a prova disponível ainda no requerimento administrativo.

    Regime de competência no IR dos atrasados

    Um ponto que frequentemente gera frustração do cliente na declaração do ano seguinte. Os atrasados do INSS são Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) e devem ser tributados pelo regime de competência, aplicando a alíquota do mês de origem e não a alíquota cheia do mês de recebimento. Além disso, os juros de mora são isentos de IR pelo Tema 808 do STF. Aliás, orientar o cliente (ou o contador) nesse ponto é parte da entrega de valor do escritório e evita perdas expressivas por tributação indevida.

    Monetizando sentenças favoráveis antes do recebimento

    Decerto, um advogado consciente sabe que o dinheiro tem valor no tempo. Um crédito recebido em 18 meses tem valor presente menor do que um crédito monetizado agora. Essa equação vale tanto para o cliente, que pode ter urgência pelo recurso, quanto para os honorários do próprio escritório.

    As duas operações principais nesse campo:

    • Cessão de honorários advocatícios, sucumbenciais ou contratuais, permite ao escritório antecipar o recebimento, com deságio, de créditos que entrariam no caixa só após a expedição e o pagamento do requisitório. É particularmente útil para escritórios em crescimento, que precisam de capital de giro recorrente.
    • Cessão do crédito do cliente, quando o próprio segurado tem urgência pelo recurso. Nesse caso, o advogado mantém papel consultivo, orientando sobre a decisão e a escolha da empresa cessionária.

    A decisão de antecipar depende de fatores objetivos: urgência, deságio praticado, previsão realista de recebimento e estabilidade jurídica da sentença. Ainda assim, para um recorte aprofundado dos critérios de decisão, vale a leitura do nosso material sobre como realizar a venda de créditos judiciais.

  • Qual é o papel do Advogado na Perícia do INSS?

    Qual é o papel do Advogado na Perícia do INSS?

    O advogado previdenciário possui uma função muito importante no acompanhamento de seus clientes, antes, durante e após a perícia do INSS.

    Para ter o direito de receber o benefício previdenciário por incapacidade de trabalhar, o cidadão precisa passar por perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nessa ocasião, um médico habilitado pelo órgão atesta a existência ou condição que incapacita o trabalhador de exercer seu trabalho.

    O advogado previdenciário desempenha um papel estratégico antes, durante e após a perícia médica do INSS, pois, além de analisar as documentações e passar as orientações, o profissional é quem passa segurança e confiança a seu cliente, que está em uma posição vulnerável.

    Neste artigo, vamos falar sobre a importância do seu trabalho como advogado nessas etapas, esclarecendo se é possível acompanhar seus clientes e trazendo dicas de como auxiliá-los.

    O importante papel do advogado previdenciário

    A Previdência é um dos pilares da seguridade social, e cumpre um papel fundamental na proteção dos cidadãos mais vulneráveis por meio de benefícios para situações como:

    • Aposentadoria por idade;
    • Doença;
    • Invalidez;
    • Maternidade;
    • Desemprego.

    Assim, o advogado previdenciário atua como defensor desses direitos. Seu papel é auxiliar os segurados para que entendam seus direitos, e garantir que os benefícios sejam concedidos da maneira que a legislação vigente determina.

    Sua atuação é estratégica para lidar com:

    • A complexidade do sistema previdenciário;
    • Atuar na revisão de benefícios e recursos administrativos;
    • Proteger os dos cidadãos direitos em casos de invalidez e incapacidade.

    O advogado pode acompanhar seu cliente em perícia do INSS?

    Este é um assunto que gera diversas controvérsias. A Resolução nº 2.183, de 2018, do Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu, no parágrafo único de seu 14º art., a presença de assistente técnico não médico durante o ato pericial.

    Porém, seu texto foi revogado pela Resolução CFM nº 2.323, de 2021, que teve o segundo parágrafo do art. 15, que também proibia a presença de assistente técnico não médico, suspenso por determinação judicial nos autos processuais 1066245-58.2021.4.01.3400.

    Além disso, em 2012, o CFM emitiu a Nota Técnica nº 44, que reconhece que, quando o cliente solicitar, o advogado tem o direito, no exercício de sua profissão, de acompanhar seu cliente no ato pericial. Confira um trecho da nota técnica:

    “Pelas razões jurídicas acima expendidas, entendemos que o advogado, no exercício de sua profissão, tem direito assegurado pelo art. 7º, inc. I, III e VI, letras “c” e “d” do EOAB, Lei 8.906/94 de fazer-se  acompanhar  de  seu  cliente,  quando  solicitado, nos exames periciais em âmbito judicial ou administrativo.”

    Em situações posteriores, o órgão emitiu pareceres alegando que o sigilo médico é uma garantia voltada ao paciente, e não ao profissional. Assim, fica a critério do paciente ser acompanhado pelo advogado ou não, desde que este profissional não interfira na atuação do perito.

    Antecipação de Honorários e créditos judiciais de forma rápida e fácil

    Por essa razão, o acompanhamento do advogado durante o ato pericial é essencial para conferir segurança e tranquilidade ao seu cliente. Em especial quando se trata de pessoas humildes e vulneráveis, que podem não saber como lidar com a perícia.

    Além disso, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou o PL 10670/18, que permite ao segurado da Previdência Social ser acompanhado por uma pessoa de sua confiança durante perícia médica e social do INSS. 

    Por fim, o advogado que pretende acompanhar seu cliente em perícia deve fazê-lo com respeito e prudência, contribuindo com o exame, e não interferindo no mesmo. Caso o perito recuse a presença do advogado, isso deve ser documentado e fundamentado em juízo.

    Como o advogado pode atuar em casos de perícia do INSS?

    Analisando toda a documentação antes da solicitação do benefício

    Para solicitar o benefício do INSS por incapacidade e conseguir obtê-lo, os cidadãos precisam cumprir alguns requisitos exigidos por lei. Assim, o papel do advogado se inicia com a análise dessas condições.

    Em primeiro lugar, o advogado precisa averiguar a qualidade de segurado. Portanto, deve conferir se o trabalhador passou pela filiação automática, tornando-se contribuinte obrigatório por trabalhar como CLT, empregado doméstico, MEI ou contribuinte individual.

    Se não for o caso, deve conferir se o cidadão é um contribuinte facultativo, que decidiu contribuir com o INSS. Nesse caso, a filiação se dá a partir do pagamento da primeira guia de recolhimento. 

    Além disso, o advogado deve conferir se as contribuições realizadas correspondem à carência mínima exigida pelo órgão. Cada benefício possui seu próprio período de carência. O tempo mínimo é de dez meses, e o máximo, de 180 meses. Confira a tabela:

    Por fim, é necessário que o contribuinte comprove a incapacidade temporária ou definitiva. O INSS realiza essa análise por meio da perícia médica.

    Orientando seus clientes

      Os advogados cumprem um papel importantíssimo na orientação de seus clientes a respeito do que esperar da perícia. Também devem adverti-los de que, caso algo não saia como deveria, é necessário relatar o ocorrido para registro, e dependendo da gravidade, para que medidas disciplinares sejam tomadas.

      Para isso, os advogados previdenciários devem ter conhecimento técnico sobre como a perícia deve ocorrer. Portanto, devem saber quais informações que devem constar de forma expressa no laudo pericial.

      Uma forma de se manter informado a respeito do assunto é consultando as normas administrativas editadas pelo próprio INSS, pois os agentes públicos são obrigados a cumpri-las. O Manual Técnico de Perícia Médica Previdenciária é o principal documento a ser consultado.

      Além disso, o advogado deve informar seu cliente sobre os documentos que ele deve levar para a perícia:

      • Documentos que comprovam sua identidade;
      • Documentos médicos, como laudos, exames, Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) e outros;
      • Documentos profissionais, que demonstrem qual é a atividade exercida para que o perito consiga entender melhor a sua incapacidade.

      Passando confiança e segurança sobre seus direitos

        O advogado cumpre o importante papel de tranquilizar seus clientes com a preparação para a perícia médica. Portanto, entre as orientações que podem ser prestadas estão:

        • Cordialidade com os servidores do INSS – A gentileza com os servidores do INSS, que normalmente estão sobrecarregados de tarefas, pode tornar o processo mais simples e tranquilo para todos;
        • Calma e paciência – Seu cliente pode ficar ansioso antes da perícia. Por isso, é importante alertar que ele pode ter que lidar com atrasos, sala de espera cheia, impaciência, etc. Por isso, é importante que seu cliente tenha recursos para passar o tempo;
        • Dizer a verdade – Alerte seu cliente de que mentir não vai te ajudar em nada na perícia. Oriente-o a responder de maneira clara e direta a cada pergunta que o perito fizer;
        • Não exagerar os sintomas – Informe seu cliente que aumentar seus sintomas pode atrapalhar. Faça-o sentir confiante para falar a verdade em sua perícia.

        Oferecendo suporte para qualquer intercorrência

          O advogado é fundamental para auxiliar o trabalhador, que está passando pela difícil etapa de incapacidade para o trabalho. Além disso, muitas vezes, o cliente só procura o advogado após ter seu benefício negado pelo INSS, o que gera uma carga de estresse ainda maior.

          Por isso, esteja disponível e ofereça suporte para qualquer intercorrência de seu cliente, lembrando-o de que ele não está sozinho, e buscando alternativas para resolver sua situação.

          O papel essencial do advogado previdenciário

          Na perícia do INSS, o advogado tem o importante papel de orientar e prestar suporte em todas as etapas que seu cliente precisar. Assim, o advogado pode estar presente no momento da perícia ou não: essa é uma escolha de seu cliente.

          De qualquer forma, deve prestar todo o suporte antes e após a realização da consulta pericial para auxiliar seus clientes a terem seus direitos cumpridos pela Previdência Social brasileira.

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